FELIZ 2016

domingo, 29 de maio de 2016

Temer terá de se ajoelhar para Cunha’, diz Dilma...

“O pato tá calado, sumido. O pato está impactado. Nós vamos pagar o pato do pato, é?”.
Na primeira entrevista concedida 18 dias depois de ser afastada, a presidente afastada Dilma Rousseff fez duros ataques ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a quem, segundo ela, “Temer terá de se ajoelhar”. A entrevista foi concedida na última quinta-feira ao jornal “Folha de S. Paulo”, e publicada na edição antecipada deste domingo.
O Eduardo Cunha é a pessoa central do governo Temer. Isso ficou claríssimo agora, com a indicação do André Moura (para líder do governo na Câmara). Cunha não só manda, ele é o governo Temer. E não há governo possível nos termos do Eduardo Cunha” disse ela, completando: “Vão ter de se ajoelhar”.
Dilma disse ter sido traída por Michel Temer. Perguntada se seu vice tinha lhe traído, respondeu: “Óbvio. E não foi no dia do impeachment, foi antes, em março. Quando as coisas ficaram claríssimas”, disse ela, emendando: “Você sempre acha que as pessoas têm caráter”.
Sobre as conversas vazadas entre o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e líderes do PMDB, como ex-ministro Romero Jucá e o presidente do Senado, Renan Calheiros, a presidente disse que os áudios revelam que o partido de Michel Temer pretendia, ao assumir o governo, barrar as investigações da Lava-Jato.
Eles (os áudios) mostram que a causa real para o meu impeachment era a tentativa de obstrução da operação Lava-Jato por parte de quem achava que, sem mudar o governo, a sangria continuaria”, disse ela, referindo-se principalmente à Jucá, que perdeu o cargo após ser flagrado tratando do que eloe chamou de “delimitar” as investigações.
Dilma diz ainda acreditar que poderá voltar à Presidência. “Nós podemos reverter isso. Vários senadores, quando votaram pela admissibilidade, disseram que não estavam declarando (posição) pelo mérito (das acusações). Então eu acredito”.
Dilma voltou classificar de golpe o processo que levou ao seu afastamento. “Sinto muito, sabe, sinto muuuuuito se uma das características do golpe é detestar ser chamado de golpe”. Dilma, reforçou a tese de que não houve crime de responsabilidade na sua gestão.
Sobre as medidas na economia tomadas pelo novo governo, Dilma foi irônica: “O pato tá calado, sumido. O pato está impactado. Nós vamos pagar o pato do pato, é?”. Sobre a emoção quando deixou o Palácio do Planalto, disse: “Eu não choro, não. Nas dores intensas, eu não choro. Cada um é cada um, né?”.

sábado, 28 de maio de 2016

DELEGADO CORVEIRO E COMPARSA SÃO PRESOS ACUSADOS DE ASSALTO A UM CORRESPONDENTE BANCÁRIO DE DONA INÊS-PB...


Na manhã desta sexta-feria(27) volta das 07h30min. Dois homens trajando roupas longas e escuras e capacete tomaram por assalto uma quantia não informada do correspondente bancário na cidade de Dona Inês. Após o intento o gerente da agência, o senhor AMAURI FRANÇA DE MELO JUNIOR de 34 anos, que havia sido assaltado junto com outro atendente começaram a fazer um acompanhamento dos acusados que fugavam em uma motocicleta Honda cg 150 preta placa MNS-2616. Durante a perseguição os acusados entraram em colisão com o Gol Branco Placa OXO7557 (do gerente), momento esse em que os acusados efetuaram 3 disparos contra as vítimas. Momento esse que perderam o meio de fuga e tentaram se evadir entrando em uma mata local próxima ao cemitério da cidade. Em tempo paralelo as guarnições do Comando da 7 CIPM com o Capitão J Ferreira. e guarnições locais começaram a diligências para localizar os indivíduos e a quantia. No cerco policial na área participaram o Maj. Sinval, Ten. Jones, Ten. Andrey, Ten. Willys, Ten. Aluisio, Rotam 7CIPM, Choque, Dest. Dona Inês. Dest. Belem, Dest. Cacimba de Dentro. As diligências perduram por todo o dia. E por volta das 21h25min. a guarnição local  consegui prender o senhor MARCOS DE OLIVEIRA de 51 anos de idade conhecido como “Delegado Porfel” o coveiro da cidade, o mesmo estava no cemitério publico com uma arma e uma parte da quantia roubada. Este por vez deu a localização de seu comparsa, o THIAGO MONTEIRO DE ANDRADE de 23 anos (Jack Chan). A fim foram apreendidos 2 armas de fogos, sendo um revólver taurus calibre 0.38 POL. de numeração 81371 com 3 deflagradas e 3 intacta. um revólver taurus calibre 0.32 POL. numeração 699551 com duas munições intactas. 2.261 reais, duas bainhas de armas, uma porção de substâncias semelhante a cocaina, um punhal e a motocicleta (roubada dias antes). Todos os envolvidos foram conduzidos a delegacia de Solânea para feitura dos autos.


 MARCOS DE OLIVEIRA (foto da direita), vulgo “delegado porfel” já cumpriu pena por homicídio a cerca de 10 anos atrás. O mesmo relatou a nossa equipe que não se arrepende por seus atos.
Fonte: TV Webcidade

Porfel foi destaque nacional em reprtagem da TV Record, veja vídeo abaixo...

Em novo áudio, Sérgio Machado diz ter agido em nome de Temer...

As gravações de conversas com caciques do PMDB feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado se aproximam cada vez mais da cúpula do governo interino. Em conversa revelada no fim da noite desta sexta-feira pelo Jornal da Globo, Machado conta a José Sarney ter "contribuído pro Michel", em referência ao então vice-presidente Michel Temer.
A contribuição teria sido feita para a "candidatura do menino", que, segundo fontes ouvidas pela Globo, seria Gabriel Chalita, candidato a prefeito de São Paulo em 2012. Não fica claro de que ajuda ele fala. Sérgio Machado fez as gravações para tentar fechar um acordo de delação premiada. Nas conversas com caciques do PMDB como Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá, que já deixou o governo, ele fala sempre em deter a Lava Jato e culpa a presidente Dilma Rousseff por deixar a operação avançar.
No diálogo revelado na última noite, Machado parece sondar o ex-presidente José Sarney para saber se Michel Temer pode participar de uma articulação para evitar que sua investigação caia nas mãos de Sérgio Moro. "Não. Sem articulação, não. Vou ver o que... acontecendo, vou no Michel hoje", responde Sarney.
É aí que, para estimular a conversa e fazer Sarney falar, Machado conta que contribuiu com Temer sem o conhecimento de Renan Calheiros, seu padrinho político. "O Michel presidente...lhe dizer...eu contribuí para o Michel", diz. "Eu contribuí para o Michel...não quero nem que o senhor comente com o Renan...eu contribuí pro Michel pra candidatura do menino...falei com ele até num lugar inapropriado que foi na base aérea..."

sexta-feira, 27 de maio de 2016

SEGUNDO REPORTAGEM DA VEJA, o que disse Pedro Corrêa...

Pedro Corrêa faz relato contundente de envolvimento de Lula no petrolão...
Entre todos os corruptos presos na Operação Lava-Jato, o ex-deputado Pedro Corrêa é de longe o que mais aproveitou o tempo ocioso para fazer amigos atrás das grades. Político à moda antiga, expoente de uma família rica e tradicional do Nordeste, Corrêa é conhecido pelo jeito bonachão. Conseguiu o impressionante feito de arrancar gargalhadas do sempre sisudo juiz Sergio Moro quando, em uma audiência, se disse um especialista na arte de comprar votos. Falou de maneira tão espontânea que ninguém resistiu. Confessar crimes é algo que o ex-deputado vem fazendo desde que começou a negociar um acordo de delação premiada com a Justiça, há quase um ano. Corrêa foi o primeiro político a se apresentar ao Ministério Público para contar o que sabe em troca de redução de pena. Durante esse tempo, ele prestou centenas de depoimentos. Deu detalhes da primeira vez que embolsou propina por contratos no extinto Inamps, na década de 70, até ser preso e condenado a vinte anos e sete meses de cadeia por envolvimento no petrolão, em 2015. Corrêa admitiu ter recebido dinheiro desviado de quase vinte órgãos do governo. De bancos a ministérios, de estatais a agências reguladoras - um inventário de quase quarenta anos de corrupção.
VEJA teve acesso aos 72 anexos de sua delação, que resultam num calhamaço de 132 páginas. Ali está resumido o relato do médico pernambucano que usou a política para construir fama e fortuna. Com sete mandatos de deputado federal, Corrêa detalha esquemas de corrupção que remontam aos governos militares, à breve gestão de Fernando Collor, passando por Fernando Henrique Cardoso, até chegar ao nirvana - a era petista. Ele aponta como beneficiários de propina senadores, deputados, governadores, ex-governadores, ministros e ex-ministros dos mais variados partidos e até integrantes do Tribunal de Contas da União.
Além de novos personagens, Corrêa revela os métodos. Conta como era discutida a partilha de cargos no governo do ex-­presidente Lula e, com a mesma simplicidade com que confessa ter comprado votos, narra episódios, conversas e combinações sobre pagamentos de propina dentro do Palácio do Planalto. O ex-presidente Lula, segundo ele, gerenciou pessoalmente o esquema de corrupção da Petrobras - da indicação dos diretores corruptos da estatal à divisão do dinheiro desviado entre os políticos e os partidos. Corrêa descreve situações em que Lula tratou com os caciques do PP sobre a farra nos contratos da Diretoria de Abastecimento da Petrobras, comandada por Paulo Roberto Costa, o Paulinho.
Uma das passagens mais emblemáticas, segundo o delator, se deu quando parlamentares do PP se rebelaram contra o avanço do PMDB nos contratos da diretoria de Paulinho. Um grupo foi ao Palácio do Planalto reclamar com Lula da "invasão". Lula, de acordo com Corrêa, passou uma descompostura nos deputados dizendo que eles "estavam com as burras cheias de dinheiro" e que a diretoria era "muito grande" e tinha de "atender os outros aliados, pois o orçamento" era "muito grande" e a diretoria era "capaz de atender todo mundo". Os caciques pepistas se conformaram quando Lula garantiu que "a maior parte das comissões seria do PP, dono da indicação do Paulinho". Se Corrêa estiver dizendo a verdade, é o testemunho mais contundente até aqui sobre a participação direta de Lula no esquema da Petrobras.

Alguns nomes citados por Corrêa:
-Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deputado federal
-Aécio Neves (PSDB-MG), senador
-Paulo Maluf (PP-SP), deputado federal
-Augusto Nardes (ex-TCU)
-Lula (PT-SP), ex-presidente
-Dilma (PT-RS), presidente afastada
-José Eduardo Dutra (PT-SE), já falecido

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Temer e os áudios: por que a Lava Jato preocupa também o governo interino...

Quarenta e um dias separaram as fases 28 e 29 da Operação Lava Jato, deflagradas respectivamente nos dias 12 de abril e 23 de maio. Foi tempo suficiente para que a Câmara dos Deputados aprovasse o prosseguimento do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff e o Senado afastasse a petista do cargo. E para que a militância de esquerda se apressasse a espalhar pelas redes sociais a teoria de que a Lava Jato havia arrefecido porque o PT estava fora do poder. Nada mais falso. Não apenas a operação segue irrefreável como seus desdobramentos seguem a preocupar o governo �- agora, o do presidente interino Michel Temer. Desde segunda-feira Temer já perdeu um ministro gravado enquanto sugeria um 'pacto' para frear a Lava Jato e tem agora diante de si outras duas importantes figuras do PMDB pilhadas em diálogos constrangedores com um investigado pela operação.
Ligado à alta cúpula do partido do presidente interino, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, alvo da Lava Jato, gravou conversas com três caciques do PMDB: o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o senador Romero Jucá (RR) e o ex-presidente José Sarney (AP). Indicado por Renan ao cargo na subsidiária da Petrobras, Machado foi o dirigente que mais tempo se manteve no posto - de 2003 a 2014. Ele acaba de ter seu acordo de delação premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal. O áudio dos diálogos travados com Jucá, divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo na segunda-feira, derrubou o peemedebista do ministério do Planejamento após apenas doze dias no cargo. Mas mais do que o conteúdo já divulgado dos grampos, preocupa a legenda o que ainda está por vir - nos bastidores, avalia-se que novos diálogos devem complicar ainda mais a vida de Renan e até de peemedebistas que se livraram de integrar a primeira 'lista de Janot'.
De volta com carga total à oposição, o Partido dos Trabalhadores celebra o vazamento dos áudios - ainda que só reconheça potencial destruidor nas gravações de Jucá. A legenda pretende utilizar o conteúdo dos grampos para reforçar o discurso de vitimização de Dilma. Diante de um ministério cuidadosamente montado de modo a garantir apoio no Congresso, até os oposicionistas reconhecem nos bastidores que os áudios devem provocar efeito apenas na opinião pública. Oficialmente, contudo, o discurso é outro: "Esse é mais um fato com que trabalhamos na perspectiva de reverter o afastamento na votação final no Senado. Obviamente, tudo que esse governo interino tem feito até agora tem nos ajudado", afirma o senador Humberto Costa (PT-PE). Nada indica por ora que Dilma tenha de fato chances de safar-se na votação do mérito.
"Eu não vejo o impeachment como resultado de uma conspiração externa feita por Jucá e companhia. Esse processo é resultado das pedaladas, que levantaram a dúvida sobre o crime de responsabilidade, dos equívocos da Dilma na condução da economia, do excesso de marketing inverídico durante a campanha e a Lava Jato, que mesmo que não tenha nada diretamente, é sempre em torno dela", diz o senador Cristovam Buarque (PPS-DF). "Agora, PT e PMDB ficam mais iguais, ou menos diferentes. Assim como José Dirceu, Delúbio, Vaccari e todo esse pessoal do PT terminou preso por causa da Lava Jato, o Temer também começa a ter gente com gravações que são destruidoras para a reputação do seu governo", avalia.
Para além dos desafios econômicos, Temer tem agora diante de si uma difícil missão: manter-se perto o suficiente dessas figuras para garantir tranquilidade no Congresso, mas longe o bastante para não prejudicar a própria imagem - desgastada pelos tropeços iniciais de seu governo. Foi assim com Jucá. O agora ex-ministro, um dos maiores articuladores do impeachment, se licenciou do Planejamento afirmando que o fazia por vontade própria, embora no partido a avaliação é de que ele não volte. E já é ventilado como provável novo líder do governo no Senado. Na votação que garantiu ao governo a mudança na meta fiscal, considerada a primeira vitória de Temer no Congresso, Jucá não apenas votou como subiu à tribuna para defender o Planalto e atacar o PT.
Os discursos acalorados contra a atuação de Jucá ajudaram o PT a empurrar por mais de 16 horas a sessão que analisou a nova meta fiscal. Ainda que não tenha comprometido o resultado, a ação mostra que o partido tem potencial para causar dor de cabeça. E deixou evidente a importância, para Temer, de Renan na condução das sessões. Como um 'trator', o presidente do Senado encurtou debates e garantiu que a nova meta fosse votada. Na Câmara, Temer escolheu para líder do governo o enrolado André Moura (PSC-SE), importante aliado do notório Eduardo Cunha. Em discurso na segunda-feira, o presidente interino bateu na mesa e afirmou que sabe o que fazer no governo. Lembrou que nos seus tempos de secretário de Segurança Pública em São Paulo "já lidou com bandidos". É a articulação política em tempos de Lava Jato.
Pelo o que se sabe, quem lidou com bandido foi a polícia, Temer nos tempos de secretário andava de carro blindado e cercado de seguranças...

Governo tenta antecipar definição do impeachment...

A revelação de que Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro (subsidiária da Petrobrás), teve homologada sua delação premiada pelo Supremo Tribunal Federal reforçou a estratégia do Planalto de encurtar os prazos do impeachment de Dilma Rousseff no Senado. Os governistas avaliam ter hoje os votos necessários para tirar de vez a petista do cargo e querem concluir o processo antes de um eventual aumento da instabilidade política.
A estratégia agora é encerrar o trâmite e tirar Dilma da Presidência ainda em agosto e não mais em setembro. Conforme apurou o Estado, Machado citou mais nomes em sua delação além dos divulgados até agora (Romero Jucá, José Sarney e Renan Calheiros, todos do PMDB). De acordo com as fontes ouvidas pela reportagem, o presidente em exercício Michel Temer não está implicado diretamente no depoimento de Machado, mas pilares importantes de sua base de sustentação aparecem na delação premiada e nas conversas do ex-executivo da Transpetro.
O ministro do STF Luís Roberto Barroso definiu prazo de cinco dias para que o presidente em exercício Michel Temer se pronuncie sobre a reforma administrativa realizada após o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência.
Essa informação aumentou a apreensão nos bastidores e fez crescer o temor de um novo período de recrudescimento da crise política, o que causaria instabilidade para a gestão Temer e poderia atrapalhar sua estratégia de recuperação da economia, neste momento dependente da aprovação de medidas no Congresso Nacional.
Do lado de Dilma, a estratégia é apostar em um ambiente político conturbado em busca de inviabilizar Temer politicamente.
Pressa. Ontem, a comissão que analisa o impeachment voltou aos trabalhos e já discutiu um cronograma. De acordo com a sugestão do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG), o processo pode se encerrar no início de agosto. A proposta adianta em um mês a previsão inicial do presidente do colegiado, Raimundo Lira (PMDB-PB), que era de 120 dias.
Durante a sessão, a senadora governista Simone Tebet (PMDB-MS) sugeriu uma redução de 20 dias no cronograma do relator. A senadora afirmou que o prazo para alegações finais da defesa e da acusação pode ser encurtado de 30 para 10 dias. Este prazo, segundo ela, está previsto no Código de Processo Penal. “O Brasil não pode esperar. A insegurança jurídica e a instabilidade podem impedir novos investimentos, geração de emprego e uma recuperação da economia mais rápida. 180 dias é muito, 120 dias é muito. Em três meses temos condições de apresentar um bom trabalho”, disse Simone. 
O calendário sugerido ainda precisa ser aprovado pelos demais senadores da comissão na próxima quinta-feira, mas já causou desconforto entre os petistas. Como o PT e aliados são hoje minoria no colegiado, a tendência é de que o cronograma seja aprovado. Além de antecipar a saída de Dilma, a ideia é encerrar o processo de impeachment antes do início da campanha para eleições municipais, marcada para 16 de agosto.
No calendário de Anastasia, a pronúncia do réu, fase em que se verificam se as acusações são procedentes, será votada no plenário do Senado em 1.º de agosto. Pela Lei do Impeachment, são dadas 48 horas para notificação e, em seguida, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, tem até dez dias para marcar o julgamento final. Assim, a última votação deve ocorrer até 15 de agosto. O relator se dispôs a discutir a possibilidade de estender ou encurtar os prazos, mas ponderou que apenas a fase probatória do processo pode ser modificada. Anastasia separou duas semanas para essa etapa.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Sociedade brasileira tem moral dupla, diz ministro do STF...

"A Justiça brasileira é mansa com os ricos e dura com os pobres. É a característica essencial dela", resumiu o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luis Roberto Barroso, ao falar do conceito de Justiça no Brasil durante o Fórum Veja, evento promovido pela revista nesta segunda-feira (23), em São Paulo.

O ministro, que foi relator do emblemático julgamento do Mensalão, discursou sobre o legado das investigações que atingiram os chamados por ele de "colarinho branco" e como isto afetou a percepção do próprio brasileiro sobre a corrupção.

"Justiça brasileira era pra pegar pequeno traficante e a criminalidade do colarinho branco era vista com certa aceitação social, quase que uma resignação", disse. "Eu acho que houve uma mudança de atitude da sociedade, de que a Justiça vale para todos."

Segundo Barroso, o endurecimento de penas e leis contra a corrupção foi vitória importante nas últimas décadas, mas o Brasil carrega ainda muitas "vicissitudes", como o "inigualitarismo" na sociedade brasileira. "Nós somos herdeiros de uma tradição escravocrata e fomos o último País do continente americano a abolir a escravidão."

"Nós fomos educados numa cultura em que existem senhores e servos, ricos e pobres, negros e brancos. E isso se materializa muito numa percepção social de que as pessoas valem mais pelas suas origens e relações sociais do que pela sua virtude e pelos seus méritos. Uma forma emblemática de representar isso é que, no Brasil, é muito mais fácil colocar na cadeia um menino de 18 anos por 100 gramas de maconha do que um grande agente público ou privado que tenha provocado uma graude de alguns milhões."

O ministro também fez críticas ao financiamento público e desonerações. "São exemplos dessa vicissitude as desonerações e o financiamentos públicos para os amigos e o modelo de capitalismo que não gosta nem de risco, nem de corrupção. Capitalismo no Brasil gosta de financiamento público, reserva de mercado e cartelização -- com essas circunstâncias isso não é capitalismo, é socialismo para os ricos."

Em discurso, Barroso afirmou que uma das causas da corrupção no Brasil tem sido, historicamente, a impunidade. "As pessoas tomam decisões baseadas em incentivos e riscos e, o incentivo à corrupção, ao ganho fácil, sempre foi muito grande porque o risco de punição era muito pequeno. No Brasil, sobretudo para a criminalidade econômica, do 'colarinho brasil', a regra sempre foi impunidade."

'Sistema político reprime o bem, potencializa o mal'
Para o ministro, bons exemplos, como foi Joaquim Barbosa para o Mensalão e Sergio Moro para a Lava Jato, são as principais heranças destas investigações. "Precisamos que a elite brasileira passe a aceitar a condenação, digo entre aspas, dos nossos. Porque tradicionalmente não era assim que funcionava."

Luis Roberto apontou ainda que o atual modelo político brasileiro extrai o "pior de nós", uma vez que "reprime o bem e potencializa o mal":

"Pra onde você olha existem coisas erradas. As pessoas que vão pra política são recrutadas no mesmo ambiente em que são recrutados jornalistas, engenheiros, médicos e juízes. Então se há particular incidência de criminalidade nesse âmbito, é preciso diagnosticar o que está causando isso e enfrentar. Eu considero o custo e a baixa legitimidade democrática que o sistema eleitoral produz, o que faz com que a classe política opere de maneira descolada da sociedade civil."

O ministro também criticou o hábito do brasileiro de apontar os erros do próximo e diz que grande parte da transformação contra a corrupção passa por "nós mesmos". "A sociedade tem uma moral dupla, de que os outros fazem é errado, mas o que eu faço não tem problema", afirmou. "Precisamos avançar nisso, senão passaremos a vida apontando o dedo para o outro."

"Uma frase que tenho para mim é: não importa o que esteja acontecendo à sua volta, faça o melhor papel que você puder e seja bom e correto, mesmo quando ninguém estiver olhando."

Por fim, o ministro disse que o Brasil precisa melhorar a qualidade do debate público e que hoje muitos debates viraram "Fla-Flu", sem argumentos construtivos, apenas com discursos que desqualificam o outro.

"As ideias importantes: quantas pessoas vão ser afetadas se mudar regra? Quantas vagas precisam ser criadas no sistema? Quanto custa? Esse é um debate construtivo e, então, você debate com ideias, e não fica nesse mundo brasileiro em que a pessoa desqualifica o outro e todo mundo acha muita coisa sem ter procurado. O Brasil está precisando de ideias e de pessoas com boas propostas."

Exame.com