domingo, 23 de agosto de 2015

Após filme, 'ceguinhas de Campina Grande' lamentam esquecimento...

Ceguinhas de Campina Grande (Foto: Rammom Monte / G1)
Há 11 anos, as 'ceguinhas de Campina Grande' tornavam-se conhecidas em todo o Brasil após o lançamento do filme 'A pessoa é para o que nasce', de direção de Roberto Berliner. Porém, a empolgação durou pouco tempo. Mais de uma década depois, as irmãs Poroca, Maroca e Indaiá, de 72,70 e 64 anos, respectivamente, relatam o esquecimento do público após terem rodado o país com shows e tocado com grandes personalidades da música, como o baiano Gilberto Gil, por exemplo. Hoje, elas vivem em uma casa no bairro do Catolé, em Campina Grande, na Paraíba, recebendo cuidados de uma conhecida.
“Depois do filme, esqueceram da gente. Quando era na época do filme, chamavam para todo canto, depois esqueceram e não nos chamaram mais para canto nenhum. Eu queria que chamasse porque a gente está esquecida, ninguém chama mais.Sonhamos em voltar a tocar pelo Brasil. Para ter outra viagem, para a gente espairecer mais, mas não chamaram mais, deixaram para lá”, disseram as irmãs.
As irmãs foram descobertas pelo diretor Roberto Berliner quando pediam esmolas nas ruas do Centro de Campina Grande. A gravação do filme começou em 1997 e terminou apenas em 2004, ano do lançamento. O documentário conta a história delas e como elas passaram a ser conhecidas após o lançamento. Com o dinheiro arrecadado na época da fama, elas conseguiram comprar a casa própria no bairro de José Pinheiro, também em Campina Grande. Mas com o passar do tempo, elas passaram por alguns problemas, inclusive maus tratos por parte de uma parente.
“Ficaram maltratando, queriam me jogar de cima da cama, não almoçávamos direito, de noite a gente comia um pão seco para dormir e eles pegavam o dinheiro da gente só para gastar”, disse Maroca.
Novo lar
Por conta dos maus tratos, as irmãs decidiram procurar um novo lugar para morar. E foi com uma conhecida, que ajudava a tomar conta delas, que elas encontraram um novo lar. A cozinheira Walquiria Calisto era amiga de uma outra mulher que trabalhava na casa da filha de Maroca. Foi assim que Walquiria conheceu as três e, mesmo após a morte da mulher que cuidava delas, manteve contato com as 'ceguinhas de Campina Grande'.
“Elas foram à minha procura na minha casa e me perguntaram se podiam morar comigo, porque não estavam mais aguentando a vida que tinham e eu conversei com meu marido, ele concordou e desde então elas estão com a gente, vai fazer um ano já”, relatou Walquiria, que completou falando o que as irmãs representam para ela.
“Tenho elas como se fossem minhas tias, como se fizessem parte da minha família, já fazem parte da minha vida. Eu não me imagino mais sem elas, acho que eu nasci para levar isso adiante”, disse emocionada.
Para Maroca, mudar de lar proporcionou uma vida melhor. “Eu pedi para morar com eles, porque eu não aguentava mais. Viviam maltratando a gente direto. Aí eles foram e pediram a guarda da gente, ainda está na mão do advogado. Vai fazer um ano que a gente mora aqui e nunca ficamos sem jantar nenhuma vez. A gente nunca pensou que ia encontrar uma pessoa assim para tomar conta da gente. A gente com a família nunca tinha prazer de nada. Vivia chorando direto, toda noite eu peço saúde para eles. ”, desabafou Maroca.
Indaiá foi mais além: “Ela não é da família, mas é como se fosse uma mãe”.
Passatempo: ouvir músicas
Sem agenda para shows e viagens, as irmãs Poroca, Maroca e Indaiá passam o tempo de outra forma: escutando músicas nas rádios. E uma das canções preferidas delas é “Cuida bem dela”, da dupla sertaneja Henrique e Juliano. Elas até se arriscam a cantar, mas conseguem reproduzir apenas o trecho que dá nome à música. Outro artista que elas gostam é o cantor paraibano Luan Estilizado. Mas elas já adiantam: conheceram há pouco tempo e ainda não aprenderam as letras das canções.
Infância sofrida e sonhos
Quem vê as três irmãs bem cuidadas hoje, não imagina a vida sofrida que elas já tiveram. Cegas desde o nascimento, elas rodaram várias cidades do Nordeste em busca de uma vida melhor. Mas a realidade sempre foi a mesma: sofrimento e pedido de esmolas nas ruas.
“Passamos dificuldades demais. Era pedindo, tinha dia que comia e tinha dia que não. A vida da gente foi só de sofrimento, pedindo no meio da rua. O povo ficava colocando papel na bacia, dando tapa na cabeça da gente”, revelou Maroca.
Para Indaiá, o tempo que passou morando na rua trouxe muito sofrimento. “Eu mesmo ficava tão revoltada quando a gente pedia na rua. Eu só faltava chorar no meio da rua, de tão revoltada que eu era”, desabafou.
A vida de pedir esmolas nas ruas começou logo cedo. Maroca revela que começou a pedir na rua quando tinha sete anos. Poroca tinha oito. Ja Indaiá foi levada para a rua ainda mais cedo, com sete meses. E foi durante o período em que pediam esmolas, que elas aprenderam a música que as fiz rodar o país fazendo shows: “Atirei no mar”.
“Depois que a gente aprendeu, a gente ficava tocando com o ganzá, o povo ouvia e dava as esmolas. Eles escutavam e paravam para olhar”, disse Maroca.
E a cena chamou a atenção de uma pessoa em especial: o diretor Roberto Berliner. “Chegou Roberto, do Rio de Janeiro, aí viu a gente cantando, aí disse que a gente merecia fazer um filme. Quer dizer, ele só disse para mim depois. Aí ele, fez o filme, o filme começou em 97 e passou sete anos para terminar. A gente foi juntando um dinheiro e comprou a casa” explicou.
E com o filme, vieram as viagens. Foram muitas. Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, entre outras. Elas relatam gostar de todas, mas há uma que as agradou mais. E foi justamente a capital baiana. E a explicação é simples.
“Salvador. Foi o lugar onde a gente foi mais aplaudida. A gente foi para muito lugar, mas o lugar que foi mais aplaudido foi em Salvador”, disse Maroca, toda orgulhosa.
Apesar de ter viajado boa parte do Brasil e ter conseguido comprar a casa própria, Maroca revelou ainda ter um sonho não realizado.

“O sonho que eu queria realizar era rever uma irmã da gente que nossa mãe deu quando ela tinha 8 meses de idade. Se ela tiver viva, ela está com 64 anos. Ela deu a nossa irmã com oito meses, desde esse dia eu não a vi mais. Ela deu ela em Serra de São Pedro, perto de Juazeiro do Norte. Foi em uma festa que a gente foi. A gente estava lá, aí uma mulher pediu ela e ela deu. Eu tinha muita vontade de vê-la. Nossa mãe não tinha condição, a gente não parava em lugar nenhum, só vivia andando em cima de caminhão. Agora se fosse hoje ela não tinha dado não. Quando ela deu, eu tinha sete anos, mas se fosse agora, ela não tinha dado não”, disse.
E com o tempo elas vão mostrando que a pessoa pode até ser para o que nasce, mas que a história se renova a cada dia e sempre pode haver um dia melhor.
“Eu tinha uma esperança. Tinha gente que dizia que isso nunca iria acontecer, eu dizia que ia, porque há um maior”, finalizou Maroca.

sábado, 22 de agosto de 2015

TRANSPOSIÇÃO: 'HOUVE VONTADE POLÍTICA'...

Roberto Stuckert Filho/PR: <p>Cabrobó - PE, 21/08/2015. Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de entrega da Estação de Bombeamento EBI-1 e de 45 Km de Canal do Eixo Norte, do Projeto de Integração do Rio São Francisco - PISF. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.</p>
A presidente Dilma Rousseff inaugurou nesta sexta-feira 21, em Cabrobó (PE), a primeira Estação de Bombeamento do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF). Ela esteve acompanhada de diversos líderes da região, como o governador Paulo Câmara (PSB).
Em discurso, a presidente Dilma afirmou que os primeiros relatos de seca na região Nordeste datam do século XVI e que foi Dom Pedro II quem primeiro demonstrou intenção de realizar a obra. "Temos que comemorar, pois ela vai beneficiar 12 milhões de pessoas, mais do que a população do Paraguai e Uruguai somadas. A gente mede uma obra não pela quantidade de concreto que ela tem, mas por quem ela beneficia e ela beneficia milhões de brasileiros em 390 municípios", afirmou a presidente.
Dilma elogiou a disposição em executar a transposição do Rio São Francisco do ex-presidente Lula, com quem esteve há exatamente um ano vistando a obra inaugurada. 
"Há nesta obra uma vontade política. Precisou que um nordestino fosse eleito presidente, que tivesse praticamente expulso da sua casa e tivesse ido para São Paulo, e soubesse o preço em termos de perspectivas de futuro e esperança que a seca impunha para o Nordeste. Lula teve um papel decisivo nesta obra tão importante", afirmou a presidente.
Dilma elencou uma série de ações que o governo federal vem realizando especialmente nas regiões Nordeste e Norte do País. Ela citou o programa Mais Médicos, a interiorização das universidade e a abertura de mais cursos de medicina nas universidades públicas e privadas.
"Fizemos um grande esforço para garantir que o Brasil tivesse uma pobreza menor e que não tivesse miséria. Esse projeto faz parte dessa visão de reequilibrar o País", disse Dilma. 
"Quem luta e quem consegue é o povo. O governo tem que fazer com que essa luta seja mais igual, de garantir as oportunidades, de que ninguém que vai comer uma comida não tenha 50 metros de vantagem. Igualdade de oportunidade é garantir que crianças tenham acesso a creche desde pequenas", acrescentou.
A obra
A estrutura levará a água por 45,9 quilômetros até o reservatório de Terra Nova. Com isso, o PISF chega a 77,8% das obras concluídas. O investimento nesse trecho é de R$ 625 milhões. O Projeto de Integração do Rio São Francisco vai garantir segurança hídrica de 12 milhões de pessoas em 390 municípios. A execução do empreendimento gerou 9.980 empregos.
Segundo a Agência Nacional das Águas (ANA), o PISF pode captar 26,4 m³/segundo, mesmo em períodos de seca. Isso representa 1,4% da vazão média do rio, ou seja, duas colheres de sopa para cada litro d'água despejado no mar. Na cheia, a captação pode chegar a 127 m³/segundo sem prejudicar o rio.
Além disso, o Ministério da Integração Nacional já investiu cerca de R$1,7 bilhão em ações de revitalização no rio. O total aprovado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para esse fim é de R$ 2,5 bilhões.
O Projeto de Integração do Rio São Francisco vai garantir segurança hídrica de 12 milhões de pessoas em 390 municípios espalhados pelos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Foram 9.980 empregos gerados nos dois eixos e mais de três mil equipamentos estão em operação.
O projeto é composto por 477 quilômetros de extensão, organizados em dois eixos de transferência de água: Norte, com 260 quilômetros, e o Leste, com 217. A previsão do final das obras é entre dezembro de 2016 e início de 2017.

domingo, 16 de agosto de 2015

OS TROCA TROCA DE PARTIDOS, VAI COMEÇAR...

Depois que o PMDB – maior partido no Senado e o segundo na Câmara – ganhou mais espaço no governo Dilma, passou a ser mais atrativo para políticos decididos a deixar a legenda pela qual se elegeram. 

O caso mais notável é o da senadora Marta Suplicy que, na última sexta-feira, em conversa com o vice-presidente da República Michel Temer em São Paulo, selou seu ingresso no partido. 

Ela concordou em se submeter à convenção do partido para a definição do nome a ser lançado para disputar a prefeitura no ano que vem.

Marta anunciou sua saída do PT em abril e deu início às negociações com o PSB. Quando já estava praticamente certo o ingresso no partido, ela deflagrou conversas com o PMDB, irritando os socialistas. 

Agora, fontes do PMDB garantem que a decisão está tomada e que Marta deve se filiar em setembro - último mês do prazo de filiação para aqueles que querem disputar as eleições do ano que vem.

Na conversa, Temer disse à senadora que não havia como assegurar a ela a vaga de candidata à Prefeitura de São Paulo, mas que o bom desempenho nas pesquisas iria ajudar a impulsionar o seu nome no partido. 

Segundo Temer, é desejo dos vereadores do PMDB que o partido tenha candidato próprio e, se estiver bem posicionada nas pesquisas, Marta teria mais chances de vencer a disputa interna.

O PMDB espera não ganhar apenas Marta Suplicy. Há conversas com outros senadores – que, pela legislação eleitoral podem trocar de legenda sem perder o mandato, o que facilita a mudança dos descontentes. Conversas com Blairo Maggi (PR-MT) e também com a senadora Lúcia Vânia começaram há mais tempo. Lúcia Vânia (ex-PSDB-GO) acabou optando pelo PSB e vai se filiar na semana que vem. Maggi ainda está em negociação.

O maior desejo do PMDB neste momento é a filiação do senador José Serra (PSDB-SP). Serra tem sido cortejado por vários peemedebistas, de Temer ao grupo de senadores encabeçado por Renan Calheiros, com ofertas tentadoras – ser ministro da Fazenda num eventual governo peemedebista mais imediato ou ser o candidato do partido à Presidência da República em 2018. 

O argumento é o de que Serra perdeu o primeiro lugar na fila do PSDB para Aécio e Alckmin – sem que se saiba, a esta altura, qual dos dois está na dianteira.

domingo, 9 de agosto de 2015

Sem unidade, ala do PSDB quer nova eleição e outra espera por 2018...

O momento seria propício para a oposição. O Governo de Dilma Rousseff enfreta a maior crise política desde que o PT assumiu o Executivo, sofrendo derrota após derrota nas mãos de seu desafeto declarado, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Para piorar, o Planalto cada vez mais vê sua base no Congresso se  esfalecer, com debandada de partidos aliados e petistas votando contra o Governo. Seria o cenário perfeito para que o maior partido de oposição, o PSDB, conseguisse capitalizar a crise do Governo a seu favor, mostrando-se como alternativa. Mas o tucanato se encontra dividido com ao menos quatro discursos, embora unidos em desestabilizar o Governo Dilma.

Na Câmara, a bancada do PSDB tem se alinhado com Cunha e apostado no quanto pior melhor, segundo especialistas. Nesta quinta-feira, os líderes das bancadas tucanas na Câmara, Carlos Sampaio (SP), e no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), por exemplo, defenderam a convocação de novas eleições “para a salvação do país”. “Concordamos com o vice Michel Temer de que precisamos identificar uma pessoa que construa um projeto nacional para salvar o país”, disse Sampaio, fazendo referência à declaração de Temer feita na tarde de quarta. “Mas estamos convencidos de que essa pessoa (...) teria que ser legitimada pelo voto popular”, afirmou. A bancada foi apelidada de “os cabeças pretas” por alguns parlamentares, devido à impetuosidade e à idade inferior aos dos 'cabeças brancas' do Senado, mais ponderados.
A aposta dos líderes é conseguir o impeachment de toda a chapa - Dilma e Temer -, e não apenas da presidenta. Isso depende do Tribunal Superior Eleitoral julgar procedente a ação de impugnação contra a petista e seu vice, o que destituiria os dois. Neste caso haveriam novas eleições para o Executivo. É uma hipótese pouco provável, segundo analistas.  Caso Dilma tenha as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União, um outro caminho para o impeachment, ela apenas seria afastada, e o peemedebista assumiria até o final do mandato, em 2018.
Além do grupo da Câmara, os tucanos contam ainda com três grandes correntes internas, diz Luciano Dias, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos. Uma delas é liderada pelo ex-candidato do partido à presidência, o senador Aécio Neves (PSDB-MG). “Ele poderia se beneficiar do recall relacionado à eleição de 2014. É do seu interesse manter a temperatura da crise alta”, diz Dias. Caso a chapa Dilma/Temer seja impugnada, o tucano pode contar com essa visibilidade para ser conduzido ao cargo caso uma nova eleição seja convocada. Inicialmente reticente em apoiar abertamente os atos de rua pedindo o impeachment de Dilma, Neves aos poucos se alinha com os cabeças pretas. Esta semana ele afirmou que “a presidente Dilma e o PT perderam a capacidade de governar”.
O PSDB nunca foi um partido, sempre foi muito mais uma reunião de caciques que têm as suas próprias posições
Do outro está o grupo liderado pelo Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que tem se mostrado cauteloso quanto a assumir um discurso de enfrentamento com a presidenta e pró-impeachment. “O horizonte do Alckmin é a eleição de 2018. Ele não tem o menor interesse em um fato que altere estas perspectivas”, afirma o professor. De acordo com ele, um impedimento de Dilma do poder ou até mesmo da chapa inteira seria prejudicial ao tucano, uma vez que abriria o caminho para que outros caciques do partido assumissem uma posição de preponderância na legenda. Comandando a vitrine do segundo maior orçamento do país, “ele quer ver o Governo fritar até as próximas eleições para que ele tenha chances de disputar novamente o Planalto”, avalia Dias.
Correndo por fora está o senador José Serra (SP). O parlamentar está próximo de Temer e do PMDB, e muitos já avaliam que ele pode deixar o seu partido. A coluna de Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo informou que ele poderia estar costurando um acordo para assumir a pasta da Fazenda caso Dilma seja afastada e Temer fique com a presidência. Ele também se reuniu com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e outras lideranças tucanas para tratar do impeachment de Dilma. Na ocasião, ele teria criticado os deputados e as pautas-bomba da Câmara, consideradas por ele "irresponsabilidades fiscais".
Se as coisas continuarem neste ritmo, em breve o partido de Temer, Cunha e Renan pode ser responsável por infligir o quinto tento contra a maior legenda de oposição
“O PSDB nunca foi um partido, sempre foi muito mais uma reunião de caciques que têm as suas próprias posições. A ideologia não é o forte dos tucanos”, afirma José Arthur Giannotti, professor de Filosofia da USP. Amigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ele é considerado uma referencia teórica dentro do partido. “Você acha que Aécio Neves e José Serra tem alguma coincidência ideológica? Nunca houve”, afirma. Na avaliação de Giannotti, “isso não apenas enfraquece o partido, mas faz com que ele seja mais um tiroteio do que uma oposição política”. No final “não fazem política responsável. Estão apenas empenhados em derrubar a Dilma”.
Não por acaso, é o PMDB quem tem crescido mais na condição de opositor ao Governo, carregando os tucanos a reboque. Diferente do PT, que após três derrota seguidas nas eleições para a presidência conseguiu afinar o discurso, os tucanos ainda se digladiam após quatro fracassos nas urnas. Se as coisas continuarem neste ritmo, em breve o partido de Temer, Cunha e Renan pode ser responsável por infligir o quinto tento contra a maior legenda de oposição.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

PARA CONGRESSO, DINHEIRO DÁ EM ÁRVORE...

A noção básica entre valor, preço, estoque, fluxo, caixa e poupança parece ter faltado completamente no preparo dos parlamentares brasileiros. A conta mais simples que uma dona de casa faz mensalmente virou tarefa de doutorado em gestão financeira para o Congresso Nacional. Qual seja: o que dá para fazer com a renda da família.
Entre as negociatas e ameaças contra o governo, deputados e senadores esqueceram de olhar para a parte mais importante dessa história: o caixa do paísrepito: do país, não do governo. Não precisa ser doutor em matemática para entender que há algo de errado com as finanças públicas. Para ficar só em junho deste ano, a diferença entre as receitas e as despesas do setor público ficou negativa em R$ 9,32 bilhões – o pior resultado da história! Este número é público e, diria, notório.
O que estaria passando na cabeça dos parlamentares para achar que dinheiro público dá em árvore na Amazônia? Porque só um tanto de árvore assim para cobrir o rombo atual das contas e ainda bancar, por gerações à frente, todas as sandices que o Congresso já aprovou e mantém na pauta das votações da casa. Mesmo que, hipoteticamente, estivessem governando em causa própria, eles deveriam pensar, pelo menos, que é preciso ter um país vivo para implementar as pautas nada nobres dos eleitos.
Enquanto debatem sobre um futuro que não existe – porque ele conta com um dinheiro que não há e nem haverá – deputados e senadores exigem do governo muita destreza para colar os cacos deixados pelo primeiro mandato de Dilma Rousseff. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, resumiu as características necessárias para lidar com inimigos tão despreparados: “Conversa, paciência, persistência é o que a gente precisa. A situação econômica é séria. A questão fiscal é muito séria”, disse em Brasília.
De bilhões em bilhões de reais, o Congresso tira e põe com as mãos o poder discricionário (pouco que existe) da administração pública para manter o país funcionando. As votações das medidas do ajuste fiscal desfiguraram o propósito mais sensato apresentado pelo governo nos últimos 6 anos: para o país crescer, é preciso equilibrar e melhorar a qualidade dos gastos públicos e a dinâmica do endividamento soberano. Como o governo fez exatamente o contrário até pouco tempo, agora, a equipe de Levy e até os articuladores políticos da presidente Dilma enxugam gelo debaixo de um sol escaldante para evitar um retrocesso ainda mais intenso da economia brasileira.
A economia pede socorro mas o Congresso Nacional está de ouvidos fechados.
DO G1 COM TAHIS HERÉDIA

sábado, 1 de agosto de 2015

Descoberta a substância que combate a ressaca...Será ???

O ser humano bebe há milênios, mas ainda não conhece de forma plena os efeitos provocados por alguns goles a mais. Por exemplo, qual é o dano ao cérebro de uma noite de bebedeira rápida e desenfreada? Uma pesquisa encabeçada por cientistas espanhóis acaba de revelar novos dados a respeito do que pode estar se passando em nosso encéfalo nas noites etílicas. E também sinaliza com um promissor antídoto contra os danos neuronais do álcool –incluindo a ressaca.
A história começa no início da década passada, com a descoberta da oleoletanolamina (OEA), composto presente no chocolate amargo. A molécula aumenta a sensação de saciedade. Depois se descobriu que o próprio intestino libera OEA. Por isso, há anos são feitas pesquisas com ela relacionadas ao controle do apetite e de algumas dependências de drogas, como o alcolismo. Agora, uma nova pesquisa, dirigida por Laura Orío, da Universidade Complutense de Madri (UCM), mostra que a OEA também tem interessante efeito neuroprotetor.
Numa noite de bebedeira, o nível de álcool no sangue aumenta de forma drástica em curto intervalo. Orío reproduziu isso em ratos, aplicando-lhes o equivalente ao consumo de cinco unidades padronizadas de álcool em poucas horas. “De forma aproximada, isso seria o equivalente a beber cinco taças em três horas, consumo típico em uma noite no bar, por exemplo”, explica a pesquisadora.
Seu estudo mostra que, pouco depois de iniciada a ingestão de álcool, o sistema imunológico é disparado, dando início a um rápido efeito inflamatório no cérebro. Isso, por sua vez, provoca danos nos neurônios – incluindo sua morte. Esses neurônios danificados continuam emitindo sinais que agravam o processo inflamatório. O que ficou demonstrado por Orío é que aquele composto presente no chocolate amargo protege contra essa inflamação e contra os danos provocados pelo álcool. Quando se mistura oleoletanolamina ao álcool dado aos ratos, os danos cerebrais e a inflamação diminuem. Orío já tinha recebido o Prêmio Jovem Pesquisador, da Sociedade Internacional de Pesquisa sobre Abuso de Drogas, pela descoberta das propriedades anti-inflamatórias e neuroprotetoras da OEA. No longo prazo, afirma, a molécula pode se tornar uma promissora “pílula” contra os efeitos maléficos do álcool e, possivelmente, da ressaca.
Dependência
“O que notamos nos ratos com alto nível de álcool é que se comportavam como se estivessem doentes, com declínio generalizado”, diz Orío. “Neste trabalho também observamos que a molécula melhorava um pouco seu estado geral”, acrescenta. Esses estudos estão em processo de revisão para sua publicação na revista Addiction Biology, explica a pesquisadora. O trabalho também será apresentado no Congresso da Sociedade Internacional de Pesquisa sobre Abuso de Drogas, que será realizado em Sidney, Australia, a partir de 18 de agosto. Orío também fez pesquisas preliminares com cerca de 50 alunos da UCM para verificar se o mesmo mecanismo se repete nos seres humanos.
Fernando Rodríguez de Fonseca, coordenador da Rede de Transtornos Aditivos do Instituto Carlos III, destaca a importância dessa pesquisa. O especialista esteve ligado às primeiras pesquisas subsequentes à descoberta da OEA e atualmente estuda seu potencial como tratamento para aliviar o alcoolismo. De certa forma, diz, grande parte da pesquisa nesse campo padece de um “neurocentrismo”, ou seja, concentra-se apenas nos mecanismos com os quais o cérebro controla o resto do corpo. Nesse caso, acontece o contrário, porque é o intestino que, logo após o início do consumo de álcool, secreta uma substância que estimula o cérebro a parar a ingestão e a tentar ignorar seu efeito prazeroso.
“O que vimos é que o que acontece com os ratos é o mesmo que acontece com o ser humano”, explica Rodríguez de Fonseca. “A OEA é um fator natural do corpo para nos proteger”, completa. É possível que nos alcoólatras ela seja “desativada”, e um tratamento adicional com ela poderia funcionar. “Além disso, é um componente inócuo”, salienta o pesquisador, que trabalha no Instituto de Pesquisa Biomédica de Málaga e que trabalhou com Orío nesse mesmo campo. “Evidentemente”, diz, “é possível conseguir com isso uma pílula contra a ressaca”.

Gergelim ajuda a controlar o colesterol e previne derrames...


As sementes provenientes do gergelim (Sesamum indicum L.), nativo da Ásia e África, consiste numa das oleaginosas mais antigas que se tem registro de consumo pelo ser humano e, atualmente, em razão de sua resistência a diferentes climas, é cultivada mundialmente. 

A semente de gergelim se destaca por apresentar elevado conteúdo de gorduras que correspondem a mais de 50% da sua composição, sendo que o seu óleo é especialmente resistente à oxidação e é rico em gorduras mono e poli insaturadas - sobretudo os ácidos graxos ômega-9 (ácido oleico) e ômega-6 (ácido linoleico) e, em menor proporção, o ômega-3 (na forma do ácido alfa-linolênico). Este perfil de gorduras auxilia beneficamente no controle dos níveis de colesterol no sangue, contribuindo assim para um melhor perfil lipídico e redução no risco de desenvolvimento da aterosclerose e de eventos cardiovasculares como infartos e derrames. 
Adicionalmente, os fitoesteróis, que são compostos encontrados em vegetais que apresentam estrutura química semelhante à do colesterol - encontrados no gergelim, quando presentes na alimentação em quantidades suficientes, são capazes de reduzir os níveis de colesterol LDL (denominado popularmente de "colesterol ruim"). 
As proteínas estão presentes em menor proporção na semente do gergelim, entretanto, dentre os aminoácidos possui elevada proporção de metionina, um aminoácido essencial, importante para a síntese muscular e metabolismo do fígado. 
As fibras alimentares correspondem a cerca de 10% da composição da semente de gergelim e apresentam as mucilagens que agem estimulando o peristaltismo, ativando a circulação sanguínea na parede intestinal e, consequentemente regularizando o trânsito intestinal, elemento favorável a indivíduos que apresentam constipação e hemorroidas. 
Estudos conduzidos em indivíduos diabéticos, demonstraram um potencial efeito benéfico do consumo de semente de gergelim no controle da glicemia. Uma possível explicação para a observação deste efeito seria a presença das fibras alimentares que resultariam na redução do índice glicêmico das refeições e, consequentemente, um menor pico glicêmico. 
Adicionalmente, sugere-se que as fibras, juntamente a outros compostos bioativos, poderiam melhorar a sensibilidade das células à ação da insulina, apesar dos mecanismos ainda serem desconhecidos. 
As sementes de gergelim contam também com outras vitaminas e minerais, sendo um alimento fonte de vitamina E, um potente antioxidante que protege as células frente a ação dos radicais livres, fósforo, mineral fundamental para a formação de ossos e dentes, cuja deficiência pode levar à osteomalácia, vitamina B1, atua no funcionamento adequado do sistema nervoso, músculos e coração, vitamina A, cuja função está relacionada à saúde ocular, mucosas e pele, entre outros nutrientes em menor proporção. 
A semente de gergelim costuma ganhar destaque por ser um alimento de origem vegetal fonte de cálcio. Estima-se que 100 gramas da semente de gergelim forneçam cerca de 975mg de cálcio. O cálcio é um mineral fundamental para a coagulação sanguínea, contração muscular e a formação óssea, sendo que a necessidade de consumo diária varia conforme a idade e o estágio de vida, estando mais elevada em certas condições como a menopausa, tornando-se importante para evitar a perda de massa óssea acelerada. 
É importante ressaltar que além do conteúdo bruto de cálcio, deve-se considerar a capacidade de absorção do nutriente no organismo. No caso do gergelim, apesar do elevado conteúdo deste mineral, a biodisponibilidade de cálcio é reduzida em função da presença de fatores antinutricionais como o fitato e, principalmente, o oxalato presentes na casca da semente de gergelim. 
O cobre é outro nutriente presente na semente de gergelim e, pode ser um adjuvante na redução de dores e inchaços presentes na artrite reumatoide, fato que se deve pelo cobre estar relacionado a uma série de sistemas de enzimas anti-inflamatórias e antioxidantes. Além disso, o cobre desempenha um papel importante na atividade da lisil-oxidase, uma enzima envolvida na síntese e metabolismo do colágeno e elastina, componentes que fornecem estrutura, elasticidade e resistência a articulações, ossos e vasos sanguíneos. 
Além destes nutrientes, as sementes de gergelim contêm compostos bioativos, com destaque para o conteúdo de lignanas. Alguns estudos sugerem que estas substâncias presentes na semente de gergelim sejam metabolizadas pela microbiota intestinal e seus produtos finais podem apresentar efeito estrogênico, influenciando em parte a modulação hormonal e beneficiando mulheres na menopausa. 
Destacam-se também outros compostos particulares como o sesamol, que possui propriedades antioxidantes e confere ao óleo de gergelim maior estabilidade à rancificação. 
Adicionalmente, a semente possui a sesamina e sesamolina que demonstram exercer um efeito favorável na redução do colesterol e controle da pressão arterial em estudos clínicos. A sesamina, em especial, associou-se também à proteção do fígado frente a danos oxidativos. 
Gergelim e o ganho de peso
Apesar do leque de benefícios à saúde provenientes dos nutrientes contidos na semente, em virtude do alto conteúdo de gorduras, aconselha-se o consumo da semente de gergelim com moderação, uma vez que possui valor energético elevado (100g da semente de gergelim têm cerca de 573 calorias). 
Por outro lado, a semente de gergelim, se inserida em quantidades adequadas, de acordo com o contexto alimentar e avaliando-se as necessidades energéticas individuais, pode fazer parte de uma dieta equilibrada e até contribuir para o processo de emagrecimento. Isso ocorre uma vez que a semente possui grande quantidade de fibras alimentares, presentes especialmente na casca, que poderiam prolongar a sensação de saciedade após as refeições e, soma-se a este fato que a própria presença de gorduras (predominantemente insaturadas), além das proteínas em menor proporção também favoreceriam à menor fome entre as refeições e, consequentemente, redução da ingestão alimentar. 
Os tipos de gergelim
São encontrados três tipos de sementes de gergelim que se distinguem quanto à coloração e podem ser classificados em preta, marrom e branca. Habitualmente, porém, são encontradas à venda no mercado local as sementes de gergelim preta e branca. De forma geral, todas detêm o elevado conteúdo nutricional, no entanto, sabe-se que o gergelim preto possui teor de fibras alimentares superior em comparação às demais variedades e, além disso, apresenta conteúdo mais elevado de cálcio e vitamina A. No entanto, em relação a outros componentes nutricionais as diferenças não são significativas e, dessa forma, é indicado a inclusão e o consumo de todas variedades de sementes de gergelim para se obter seus benefícios à saúde. 
Quantidade recomendada
Não é estabelecida quantidade diária recomendada de consumo da semente de gergelim. Para indivíduos adultos, no entanto, recomenda-se a porção de 1 a 3 colheres de sopa rasas de semente de gergelim (equivalente a 10 a 30g, aproximadamente), lembrando que os derivados, como o óleo e a farinha também entram nesta contabilização. Com base em estudos que associaram benefícios da ingestão em relação à redução no risco de desenvolvimento de diabetes, saúde cardiovascular e capacidade antioxidante. 
Ressalta-se que essa quantidade deve ser estabelecida e avaliada por profissional da saúde com base no padrão alimentar, nas necessidades energéticas e hábitos de vida individuais. 
Como consumir o gergelim
As sementes de gergelim, pequenas e de sabor delicado e suave, podem ser inclusas na alimentação de maneira versátil, como exemplificados a seguir: 
-Podem ser polvilhadas, por exemplo, a pães, torradas, biscoitos e tortas. Adicionalmente, a partir da semente torrada e moída, é possível obter a farinha para uso na panificação, que pode ser incorporada às massas desses mesmos alimentos;As sementes de gergelim podem ser usadas como tempero incrementando saladas, salpicadas sobre o arroz, no preparo de carnes como o frango e em verduras e legumes como o brócolis;O gersal, que consiste na mistura de uma parte de semente de gergelim torrado e processado com dez partes de sal marinho, a proporção pode variar de acordo com o quão salgado se deseja o resultado final - pode ser um elemento substituto ao uso do sal, indicado especialmente para pessoas que necessitam reduzir o consumo de sódio, como hipertensos;O gergelim pode ser utilizado no preparo do tahine, uma espécie de pasta feita a partir da semente de gergelim moída e muito apreciado na culinária árabe. 
Enfatiza-se que para melhor conservação, as sementes de gergelim devem ser armazenadas em recipiente hermético em local seco e sem exposição à luz com o objetivo de garantir maior frescor, preservar seus nutrientes e evitar a rancificação de óleo.